Deus existe, obviamente.

Existe um curioso processo que observei e observo em alguns de meus pares, notado em meados do 2° ano do ensino médio pra frente (e isso deve ter uns 14 anos já), que consiste basicamente da negação da religião e do que ela representa, incluindo aí, claro, Deus.

Parando pra pensar bem, o descolamento que ocorre entre o jovem e sua geração anterior é bem documentado e natural, incluindo aspectos religiosos. Na maior parte da população habilitada a ter luxos como consumo cultural global, em especial o jovem, idéias transgressoras ebulem com muita facilidade, apoiadas pelo rock and  roll. Logo se nota uma geração que teve como grande questão abnegar um fator social historicamente imposto, que, enquanto luta, tem fundamentos tanto rebeldes quanto existenciais.

Esta geração buscou eliminar a religião e criar uma óbvia separação entre os crentes e os não crentes. Isto teve um êxito contundente, mais perceptível quando se transita entre meios que abrigam diversas posições diferentes, há os que crêem em Deus (qualquer um) e os que não acreditam, simples assim. O bloco dos não decididos, suponho, pende pra um dos lados, difícil apontar qual, talvez somente na hora mais crítica do ser é que se revele qual a afinidade espiritual de alguns.

Quando o mundo em que se vive vira de cabeça pra baixo (ou de cabeça pra cima, depende de como você vê sua sorte) e diversas questões começam a permear os pensamentos, a análise e reflexão sempre fazem um papel de baliza de fatores. Um pequeno episódio de observação pode se tornar uma realização de sentido nova a ser percebida, um mundo que sempre existiu e não tinha sido notado, sob essa ótica, antes.

Pra mim, e isto sou eu dizendo coisas sobre mim, da minha própria boca, Deus existe.

E não é uma aceitação religiosa, uma volta a catequese ou qualquer rito que envolva templos. É uma constatação que não temos como explicar, ainda, o que é isto que chamamos de Deus, mas que ele está aí, está.

Muito do que se atribui a Deus pode, muitas vezes, ser explicado ou racionalizado em uma breve investigação, a própria causalidade está presente em algumas teorias do porquê Deus está presente quando o ônibus passou exatamente na hora que mais se precisou. Mesmo que a questão contrária, do ônibus em atraso, não desperte tão fortemente o sentimento de que não há, por isso, um Deus, talvez até se prefira imaginar que exista um e ele não é tão fã deste ser humano em específico.

Mas é o drive thru de doces que tem ótimos horários de funcionamento, é o elevador que foi consertado depois de muitos dias e tinha até sido esquecido, é o balão de hélio preso numa árvore que ao passar dos dias murcha e cai, é você olhar pro mar e não ter idéia do porque daquilo existir daquele jeito nesse período do tempo.

O significado de tudo que nos permeia é sempre pessoal e sofre com o peso de nossos ‘olhos’. Qualquer evento desses pode significar tudo e nada.

Escolher aceitar que Deus existe assim, inexplicavelmente, exige paz de espírito, se é que há um, e um estado de conformidade que não pode ser confundido e pensado sob o pretexto de aceitação total e cessão da busca por mais, do que buscamos.

Dizer que Deus (pra mim) existe, consiste em aceitar uma força enorme em movimento que não tem como ser exposta em palavras compreensíveis para nós, mas aceitar que o acaso é acaso tanto quanto o efeito de ondas em uma piscina calma atingida por uma pedra.

E isso, sou eu, falando de mim.

Entendo a ciência por detrás de um motor, um avião e wifi, milagres nossos de hoje, mas não entendo o amor, a água (a H2O mesmo, essencial pra vida, única e limitada desde sempre) e o tempo.

Não opto por usar Deus pra preencher lacunas, tampouco uso como tapa buracos de coisas que simplesmente não quero aceitar ou entender. É mais feeling sabe? Acredito que sim, tem coisa demais sendo coincidida pra achar que tudo é acaso. Tuudo, tuudo não. O acaso vem e a gente faz dele algo. O acaso vira caso assim que atravessa nosso caminho. O universo, Deus, no caso, levanta a bola e você vê se vai fazer algo disso ou não. Deus existe aí, sendo o próprio acaso.

O negócio é quando paro na beira do mar, sopra uma brisa leve e me pergunto “quem ia perder tempo fazendo isso?” e completo  “e por que não?”

Advertisements

9x-7i> 3 (3x-7u)

Sem que o mar soubesse

As estrelas começaram a brilhar

Imitando as irmãs de nome do espaço sideral

Logo eram constelações e constelações

Brilhando mais que o próprio ceu

De um jeito que ninguém ousou imaginar

O mar descobriu e se preocupou

Se um brilho forte é tão lindo

Logo chamaria a atenção

E elas seriam presas fáceis

Mandou avisar que era proibido

Tirou o brilho das águas que agora só refletem o luar

As tristes estrelas voltaram às sombras, no fundo do mar

O mar percebeu que não daria certo

Ia logo se salgar demais

As lágrimas das estrelas não iriam cessar

Decidiu que deviam fazer o que desejassem

Mesmo sob risco, haviam de se alegrar

Quem ousaria brilhar sob ameaça de sumir?

Mas acontece que felicidade pode doer

Mas tristeza doeria bem mais.

If the world is ending, i’m throwing the party.

E se a gente comemorar o fim do mundo?
Tudo bem, não se tem ideia mesmo se os maias eram realmente bons em previsões muito à frente (eles previram a chegada dos europeus? eu não sei isso, não sei nem se eles previram que o é o tchan ia voltar)
Tudo bem, eles desenvolveram muitas tecnologias à frente de seu tempo (apesar de desconfiar que a falta de habilidade deles em desenvolver WiFi denote que talvez eles não sabiam de taaanta coisa assim).
Mas o que importa neste momento é: “Fim do mundo, e aí?”
Assisti recentemente o filme “Procura-se um amigo para o fim do mundo” e olha, eu gostei.
O filme é meio lento, aliás, vagaroso, mas interessante. A ideia é de que o mundo vai acabar mesmo e como as pessoas vão reagir, sem ter pra onde escapar.
Pra onde você iria?
Que disco ia ouvir?
E quando a energia acabasse?
Qual seria sua última refeição?
Com quem você iria passar os últimos dois segundos? (que, sabe-se, são os mais importantes)
E que roupa? (roupa importa?)
Olha, é uma boa reflexão.
Quando estamos contra a parede, sem escolhas, pelo menos quanto ao desfecho, e podemos escolher somente o modo, o caminho, é aí que as nossas vontades, as coisas que nos fazem falta, o que deixamos pra depois, pra lá, vão causar aquele embrulho no estômago.
“Bom, já que eu vou morrer mesmo, vou roubar uma Ferrari e passar meus últimos minutos na estrada”, “Já eu prefiro voar. Um avião de hélice e sem capota. Como um pássaro.” , “Eu só quero um suco de limão bem gelado, uma cadeira reclinável de frente pra um mar bem azul. E que tenha uma leve brisa no mar. Detestaria estar suado quando o mundo acabar.”
Então, amigos, minha proposta é simples.
Vamos acabar o mundo.
A gente comemora até dia dos namorados e carnaval pô.
É só mais uma data.
“Dia do fim do mundo.”
Pode ser um dia pra aumentar a culpa toda que o natal traz, a vontade de acertar tudo do réveillon, mas, principalmente, um dia pra gente acreditar que o tempo acabou.
Que é isso mesmo e, olha, eu amo você.
Desculpa eu ter pego sua bicicleta, eu gostava de axé, odeio suco de laranja, me dá um abraço que você é meu melhor amigo.
Eu sei que eu vou comemorar o fim do mundo.
Como um ser humano de hoje (que sobreviveu ao ano 2000), eu tenho 90% de certeza que não vai dar em nada esse fim do mundo, como tantos outros antes. Mas os 10% que são curiosos pra ver como ia ser se acabasse mesmo (assim que Hollywood ganha dinheiro comigo) vão esperar ansiosos.
Eu vou causar alguma pertubação nos meus amigos com mensagens e ligações (aposto que algum congestionamento de linhas vá acontecer).
Mas e se acabar?
Bem, eu vou estar com quem eu gosto, feliz de ter comemorado e se ainda não pulei de para-quedas, é porque eu não queria mesmo.
A gente podia se reunir na praia, sei lá, tipo réveillon  e esperar o mundo não acabar todo ano. A frustração de não acabar ia ser substituída rapidinho por uma mega festa de mais um ano que a terra não acabou.
A gente comemora qualquer coisa.

Segura minha mão que é só isso que vai me acalmar enquanto tudo acaba.
E vamos beber que o mundo vai acabar.

maybe tomorrow i’ll find my way home

Lights and roads.

Can we meet halfway?

Don’t Stop Believin’

Just a small town girl, living in a lonely world.

Desde quando nós temos certeza de que tudo vai ficar bem?

Desde quando você olha nos olhos de alguém e acredita, realmente, tudo vai ficar bem?

Eu tenho minhas dúvidas.

Eu sei, chegaremos lá.

Não gosto, não quero, não preciso, acho, ver esse sofrimento estampado no seu rosto.

As risadas disfarçam durante a noite, mas durante o dia a melancolia te carrega.

Certeza que isso tem que ser assim?

Eu quero olhar pro mundo e te ver.

Eu quero lembrar do mundo quando te ver.

Eu quero sorrir só em pensar na sua voz.

Eu quero te dizer nos olhos, don’t stop believin’

E quero que acredite em mim.

Vamos chegar.

O caminho pode tirar pedaços de nós.

Mas de mim, ele nunca vai te tirar.

Liga pro seu amor, seja qual for, e me diz que a vida não vale a pena sem ele (ou ela).

O melhor de nós sempre foram as mãos dadas.

oi 2010.

Ok, desculpa.

Eu fiquei longe daqui um tempão, pois é, a vida, a vida como ela é.

Então começo logo com as promessas de ano novo, esse ano prometo postar direitinho. Pelo menos toda semana. Pelo menos pra valer o tempo que eu gastei nisso até agora. Pelo menos pela minha sanidade mental e pelo menos pela necessidade de escrever sempre.

Mas o importante nesse momento é que eu fui inspirado a comentar esse ano, uma amiga (LEIAM) escreveu uma coisa semelhante no blog dela, então eu vou copiar, porque idéias boas você copia primeiro, depois pensa se é capaz de fazer melhor. O que obviamente eu não vou fazer.

Adeus 2009, e muito, muito obrigado.

Não é que um ano seja melhor que o outro, eu acredito que todos são terrivelmente iguais, a mesma proporção de coisas boas e ruins, mas como a gente sempre para no final de cada pra pensar no que passou, então novembro e dezembro são mais importantes, justamente porque ainda estão recentes, as dores e os amores ainda tem nome, gosto e as músicas dessa época ecoam de leve quando você se distrai.

Tradicionalmente eu não sou fã das formas tradicionais de religião, mas como um bom observador do mundo e da lógica que move tudo, eu tenho certeza que algumas coisas não são por acaso. E eu acredito em Karma. Tipo, acredito mesmo. Eu tenho completa convicção de que o que vai, volta. É a lei de newton do funcionamento universal. Pra mim é.

Então eu não vou dizer que 2009 foi ruim, claro que agora na reta final aconteceram algumas coisas não tão boas, minha vida universitária ainda está um pouco confusa, minha vida profissional um pouco mais confusa que isso e a amorosa está completamente confusa. E basicamente aconteceu tudo agora, no final.

Me desculpe universo, eu fiquei meio puto.

Mas no fim das contas eu resolvi parar, pensar um pouquinho e lembrar de tudo que aconteceu.

Foi um ano corrido, com muitas novidades, eu ganhei grandes amigos, me apaixonei umas vezes, descobri amigos novos nos meus amigos antigos e aprendi, aprendi mais do que tudo.

Minha música sofreu um impacto absurdo quando meu violão quebrou e isso me deixou no chão por um tempo, era de estimação, meu primeiro instrumento, dado pelo meu pai há 10 anos. Era o símbolo da minha adaptação no ES, da minha vida nova aqui. Triste, mas a vida continua.

Mas não é que alguns meses depois eu ganho um novo, do meu pai, de novo? Família definitivamente sabe como deixar a gente mais feliz.

Eu comecei a dar aulas num curso profissionalizante e descobri que adoro isso. Descobri que adoro aprender, mas gosto ainda mais de poder dividir com alguém tudo que eu aprendi.

Foi um ano de algumas loucuras, tenho certeza que uma parte dessas foram até mais do que deviam ter sido.

Foi o ano daqueles de conhecer uma pessoa que muda sua vida, e muda tanto que não tem mais volta, não é que acabou, mas demos pause. Acabando o comercial a gente volta e vê no que vai dar.

Foi um ano dos meus avós e seus 50 anos de casados, foi a prévia dos 15 anos de casamento dos meus pais em 2010, foi o tempo de entender a vida.

Foi, foi, foi.

Foi um ano apaixonante.

Foi um ano bom, foi um ano com coisas ruins.

Mas sempre um ano é bom, um ano é só uma quantidade de tempo, um ano é uma partezinha da nossa vida.

Eu odeio o fim de um ano.

Não porque o mundo todo sai de casa pra comprar coisas, não porque tudo é vermelho e verde, não porque a gente esquece de tudo mais.

Eu odeio porque é época de fazer retrospectivas, eu poderia não fazer, claro, mas sempre foi assim, porque parar agora?

É o fim do pacote de biscoito. Odeio, mas entendo completamente a necessidade da existência.

Eu vou feliz, amigos, rumo a mais um ano, a mais 10 anos.

Espero vocês lá.

e espera no portão
Pra você ver
Que eu tô voltando pra casa

(..)
Que eu tô voltando pra casa
Outra vez…