Olá.
Faz tempo né?
Tenho minhas desculpas pelo meu tempo de ausência, mas… e daí?
Bom, o que me importa hoje é música.
Andei pensando um bocado sobre toda a discussão recente sobre os prêmios das maiores emissoras nacionais de música e os ganhadores, os merecedores e a galera do meio.
Dificilmente alguém não coloca o gosto por alguma coisa acima da análise fria e calculada do merecimento, mas espera aí, análise fria sobre música?
Música é uma coisa perigosa. Abrange mais gente que religião, divide tanto quanto política e rende mais assunto que ciência. Música é coisa do coração, que levanta os pelos e arrepia a espinha. É lenta, rápida, agressiva, calma, romântica, até engraçada, imperceptível e, principalmente, pode ser triste enquanto é alegre.
Uma coisa que marca nossos dias, lembra nossos amigos, recolore um dia cinza e dita o ritmo da sua caminhada só pode ser perigosa.
Pessoalmente, e por que não pessoalmente? Prefiro pensar nas músicas que parecem mesas de bar com amigos, conversas animadas, eu te conto meu dia, você conta o seu. Lembra daquela garota? Então, era diferente. E eu tinha um cachorro chamado bingo. Essas pequenas demonstrações de vida parecem ganhar forma quando dividimos uma música com alguém.
Uma batida lenta com os ares de sábado à noite ou os acordes das sextas feiras logo pela manhã. Tanto faz, a música do seu dia de chuva favorito ou o sabor do punk rock durante o colegial. Não faço idéia de como escolhemos as músicas que gostamos, ou o porque de gostarmos. Gosto é gosto. Tanto faz.
Entendo que a juventude de hoje possa procurar meios diferentes de escapar da chatisse do dia a dia diferentes dos que a gente procurava; Mas também eles não viram os nossos melhores anos acontecerem bem ali, na nossa cara. Claro que baixar música é universal, claro que todo o acervo de música que, provavelmente, valha a pena ser encontrado existe em mp3, claro que o youtube tem os vídeos pra isso também. Mas e daí? Ouvir um cd de uma banda que nem existe mais tem um gosto estranho pra quem nunca viveu aquilo. Eles podem provar, mas nunca vão conhecer o sabor.
Por exemplo, nosso dias de jovem. Admito, freqüentei pistas de patins. E ir pra lá ouvir as músicas das bandas da época, era ter amigos, era estar junto, em vez de sozinho no pessimismo da adolescência.
A música deles pode doer nos nossos ouvidos, mas eles estão ouvindo juntos. Não, não com a gente, mas entre eles, eles, os amigos, amigas, eles se encontraram nessa música colorida de hoje e ninguém pode dizer que não tem saudade dos bons tempos. Bons tempos? Mas era por causa da música ou era porque estávamos juntos, vivendo os dias mais livres da nossa vida?
Quem sabe?
Meu irmão foi muito sábio numa declaração recente, em ressaltar que na opinião dele, um jovem que prefere as coisas do irmão mais velho, os músicos deviam votar entre si e escolher eles mesmos quem era merecedor de algum premio.
Eu prefiro ver as coisas com mais simplicidade.
Somos músicos, a música pode significar tanta coisa entre tantas outros sentimentos, mas definitivamente não significa que estamos correndo pra ver quem ganha.
Algumas bandas tem mais público, outras menos, outras conquistam mais público, outras perdem mais, alguns estilos roubam fãs, outros perdem com gerações não renovadas.
Mas quem ganhou?
Minha solução que é simples, na verdade, são duas.
Em primeiro lugar, organizamos uma corrida de carrinhos de rolimã. Quem ganhar, ganhou. Seria tão justo como o atual esquema e padrão de avaliação e escolha.
Em segundo lugar, uma festa.
Ok, eu roubei essa idéia.
Roubei do Gabriel, o Pensador.
Ele vislumbrou um mundo em festa, com estilos e artistas reunidos num grande galpão, farreando.
Talvez tudo que o mundo precisa seja isso.
Meia dúzia de repórteres cobrem a festa, transmitem ao vivo, fazem matérias depois.
Todo ganham. Dos velhos músicos que pavimentaram nosso chão até os meninos novos que, coloridos e odiados ou não, merecem sua chance.
Amigo, somos dinossauros diante dessa geração. Não adianta espernear e tentar derrubar um movimento que é tão honesto quanto o que citamos quando dizemos “bons tempos eram quando…” .
Talvez o tempo diga que estou errado. Que na verdade eram robos programados pra fingir tudo aquilo. Que os fãs eram projeções ou foram todos enganados por lavagem cerebral.
Talvez não, talvez essa geração não precise reclamar da polícia ou da loucura da vida louca que arruina nosso dia.
E eles estão felizes.
Aliás, se eu fosse você, procurava o álbum todo do Gabriel, o Pensador: “Quebra cabeça”. Ele valeu meu dia hoje.
Escrevi esse post ouvindo um dos melhores álbuns nacionais de todos os tempos “Stand by the D.A.N.C.E.” dos Forgotten boys, que ironicamente nunca foram valorizados como os músicos que foram de verdade, mas pensando no clipe” jump” do Van halen e tentando entender porque tanta cor e tanta calça apertada naquela época era normal.
Eu tenho minhas trilhas favoritas de dias cinzas e de chuva, mas estou preparado pro sol.
Se eu ouvir, minha música vai existir, não preciso roubar o momento, aliás, o melhor momento, dos adolescentes de hoje. Senão logo eu fico rabugento, reclamão, proibidor e viro o pai que eu nunca tive, mas sempre temi ter um dia.
Agora, licença que eu fiquei com vontade de tocar.
“Meus dois pais me tratam muito bem
(O que é que você tem que não fala com ninguém?)
Meus dois pais me dão muito carinho
(Então porque você se sente sempre tão sozinho?)
Meus dois pais me compreendem totalmente
(Como é que cê se sente, desabafa aqui com a gente!)
Meus dois pais me dão apoio moral
(Não dá pra ser legal, só pode ficar mal!)
MAMA MAMA MAMA MAMA
(PAPA PAPA PAPA PAPA)
Minha mãe até me deu essa guitarra
Ela acha bom que o filho caia na farra
E o meu carro foi meu pai que me deu
Filho homem tem que ter um carro seu
Fazem questão que eu só ande produzido
Se orgulham de ver o filhinho tão bonito
Me dão dinheiro prá eu gastar com a mulherada
Eu realmente não preciso mais de nada
Meus pais não querem
Que eu fique legal
Meus pais não querem
Que eu seja um cara normal
Não vai dar, assim não vai dar
Como é que eu vou crescer sem ter com quem me revoltar
Não vai dar, assim não vai dar
Pra eu amadurecer sem ter com quem me rebelar”
-Ultraje a rigor.